sábado, 4 de maio de 2019

Como a Venezuela poderá se livrar de Nicolás Maduro


Uma tentativa de depor o ditador parece ter falhado. Tente novamente.

O dia 30 de abril amanheceu promissor para a Venezuela. Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino do país por muitas democracias e milhões de venezuelanos, apareceu do lado de fora de uma base da força aérea em Caracas, ladeada por guardas nacionais, para declarar que o fim da ditadura era iminente. Ao lado dele estava um líder da oposição, Leopoldo López, que de algum modo fora libertado da prisão domiciliar. Sua presença e a dos guardas sugeriam que as forças de segurança da Venezuela estavam finalmente prontas para retirar seu apoio a Nicolás Maduro, que governou seu país de forma catastrófica e brutal nos últimos seis anos.

Assim começaram dois dias de boatos, intrigas e violências. De fato o regime ainda estava no comando e os generais estavam proclamando sua lealdade à ele. Maduro apareceu na televisão para declarar que a "aventura golpista fracassara”.

No entanto, os eventos desta semana revelam que sua influência no poder é mais fraca do que ele afirma. Guaidó, os Estados Unidos, que o apóiam, e os comandantes do aparato de segurança da Venezuela devem trabalhar juntos para pôr um ponto final na “última ditadura da América do Sul”.

Esse pode ter sido o plano. John Bolton, assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, disse, no dia 30 de abril, que altos funcionários do regime, incluindo o ministro da Defesa e o comandante da guarda presidencial, concordaram em depôr Maduro e transferir o poder para Guaidó. Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, mais tarde insistiu que Maduro estava preocupado o suficiente para ter um avião esperando para levá-lo a Havana, mas foi convencido a permanecer no Palácio Miraflores por agentes russos.

Quão verdadeiras são essas afirmações e o que deu errado é incerto. Um post numa mídia social atribuída ao general encarregado do serviço de inteligência da Venezuela, que deixou abruptamente seu emprego, deu apoio à afirmação de Bolton dizendo que pessoas próximas a Maduro estavam negociando nas suas costas. Alguns jornais dizem que o plano era retirá-lo no dia 2 de maio, mas que Guaidó agiu cedo, talvez porque Maduro soubesse do plano.

A tentativa falha, se é isso, mostra o caminho a seguir. Tanto Guaidó quanto o governo de Donald Trump precisarão induzir os altos escalões a mudar de lado, deixando claro que há um papel para eles em uma Venezuela democrática. O exército desistiu do poder em 1958 e ajudou a liderar o governo civil. A oposição e os soldados de hoje poderiam cooperar de maneira semelhante. Embora Maduro e seus seguidores mais próximos precisem ir, Guaidó deveria receber líderes menos contaminados do regime chavista em um governo de transição, o que aliviaria a crise humanitária enquanto se preparava para eleições livres. Isso ainda pode levar muitos meses.

O governo Trump colocou a Venezuela, Cuba e a Nicarágua em uma “troika da tirania”. Parece tão ansioso para destruir o regime comunista de 60 anos de Cuba quanto se livrar de Maduro. Para esse fim, intensificou recentemente o embargo americano à ilha, inclusive permitindo que cidadãos americanos processassem empresas européias e canadenses que fazem negócios com o Governo Cubano.

A escolha crucial é dos comandantes do exército da Venezuela. O desgoverno de Maduro não lhes oferece futuro. Ele esmagou a economia, deixou o povo faminto, estrangulou a democracia e forçou mais de 3 milhões de venezuelanos ao exílio. A dificuldade está fadada a piorar com as novas sanções americanas para o petróleo este ano. Os generais devem começar a agir como patriotas. Eles precisam destruir o regime, antes que o regime os destrua.

Artigo de Kaio Serra

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