quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Homenagem à minha mãe. Dois anos de saudade


Há um silêncio fora do normal na cozinha quando acordo. O rádio não está ligado na estação gospel de costume, ela não está no fogão cantarolando hinos. Ninguém está ali para reclamar comigo sobre bobagens que fiz ou deixei de fazer; para colocar horário para eu chegar em casa e me esperar no sofá e se certificar que cheguei bem para dormir tranquila. Quando entro em seu quarto, não a vejo ajoelhada no seu cantinho da cama com a bíblia na mão orando por mim, meu pai e meu irmão.

Às terças-feiras, ela não está toda arrumada para ir à igreja, não está ali sorrindo com os olhos puxados dizendo que vai orar por mim. Ela não está aqui para me dar colo quando choro, não está aqui para dizer que se orarmos a Deus, ficará tudo bem. Ela não está aqui... não está aqui.

Suas roupas preenchem o guarda-roupa, suas bijuterias preenchem o porta-joias, mas nada preenche o vazio que ela deixou.






Ouvi a minha vida inteira que ninguém é insubstituível. Grande mentira! Ela é. Não há na Terra alguém como ela. Se ela era chata? Muito! Posso dizer que é... era uma das mães mais chatas que já conheci, e foi graças a suas "chatices", a seus "nãos", a sua implicância que me tornei a pessoa que sou e eu só posso agradecer por isso.

Nenhuma dor será tão dolorosa quanto essa de perder a coluna que me sustentou durante toda a minha vida, e eu só posso agradecer por ter largado seu emprego para cuidar de mim e do meu irmão; por não ter sido uma mãe negligente; por não ter desistido de mim mesmo depois das brigas e malcriações; por ter me amado incondicionalmente como ninguém jamais me amará.

Às vezes, lá no fundo, achamos que as pessoas são eternas, que sempre haverá um amanhã, uma segunda chance de pedir perdão, de demonstrar o amor, de dizer "eu te amo". Mas a morte é certeira, ela leva sem avisar. E, por mais que a gente brigue com Deus, reclame da vida, chore, grite, a morte leva e não devolve. As pessoas simplesmente se vão.

Se Deus pudesse me conceder apenas um desejo hoje, eu escolheria estar com você, só para te abraçar e ver seu sorriso novamente.

Hoje completa dois anos que você se foi. Mas a morte não é o fim, é só uma passagem.

A gente se vê em breve!