terça-feira, 17 de outubro de 2017

Feminista processa página "Moça, não sou obrigada a ser feminista" e se dá mal

Thais Godoy Azevedo
A Thais Azevedo é uma das moderadoras da maior página contra o feminismo no Facebook. Obviamente, ela é muito atacada pelo "amor" e pela "tolerância" da esquerda que não admite pensamentos contrários aos seus. O último ataque à sua pessoa foi parar no tribunal. 
Tudo começou com a página de humor de direita, Joselito Müller, que postou uma matéria irônica com o seguinte título: "Empresário abre cota para feministas em carvoaria, mas nenhuma aceita." A feminista, Layssa Jordania, não gostou muito da matéria e compartilhou com toda a histeria de uma perfeita feminista.
“Para os ‘omis’ que compartilharam falando que direitos iguais é só quando é conveniente, seguinte… Estou abrindo vagas para homens que querem ser estuprados!! Interessados deixar número de contato aqui embaixo. Anão desculpa, isso também não é conveniente aos ‘omis’!!! RESPONDAM AI FODOES!!!”
A página "Moça, não sou obrigada a ser feminista" compartilhou o post da feminista e se limitou a colocar na legenda: "Olham o nível da comparação." 
Layssa entendeu que a página violou sua privacidade e processou Thais Azevedo.
Veja o comentário do advogado de Thais, Rafael Rosset:
"Em 2016 a Thais Godoy Azevedo acompanhava o pai, que então se preparava para uma cirurgia gravíssima, quando foi citada para uma ação que tramitava no JEC de Goianira/GO. Uma militante feminista queria R$ 30.000,00 e o fim da página Moça, não sou obrigada a ser feminista. A Thais me ligou e eu assumi, com muito prazer, a defesa dela.
Em resumo, a feminista estava indignada porque alguém tirou um print de um post dela e compartilhou na página "Moça", o que gerou uma série de comentários jocosos e depreciativos. Ela aparentemente queria o direito de falar e não ser contestada, de opinar e ser sempre aplaudida, nunca criticada. O detalhe é que ela alegou violação de privacidade, mas o post dela era PÚBLICO.
A sentença saiu essa semana, e o resultado está aqui: https://www.facebook.com/forafeminismo3/posts/1997936590465114. De forma transparente, a íntegra da sentença está no link, pra quem quiser ler (o processo é público). Em suma, a juíza (sim, é uma MULHER) ressaltou que a postagem da feminista tinha um tom provocador ("a autora (...) fez uma afirmação provocativa aos leitores masculinos e os incitou a responderem sua provocação"), de sorte que ela não poderia reclamar pelo teor dos comentários recebidos ("o dano moral alegado originou-se da própria conduta da autora, que expôs sua opinião e sua intimidade e chamou os homens a responderem o seu comentário, através de uma frase provocativa"). Tampouco ela poderia alegar que teve sua privacidade violada se opina de maneira pública ("não foi a reclamada quem expôs a autora e sua honra, foi ela mesma quem se expôs em público").


Estabelecendo importante precedente, a juíza deixou claro que não se pode responsabilizar os administradores da página pelo teor dos comentários dos seguidores, principalmente se há provocação ("não se pode responsabilizar a reclamada pelas críticas e ironias feitas à autora pelos leitores da página, notadamente porque a autora os incitou tais comentários ao escrever em seu texto a seguinte frase: 'respondam aí, fodões'. Pois é, se usar bait tentando gerar reações pra se vitimizar depois, não pode mais reclamar.
E, na parte mais sensacional da sentença, a juíza ressalta que o post da feminista tomava por verdadeira uma notícia veiculada pelo Joselito Müller, claramente satírica, o que denotaria, da parte da autora da ação, uma "combinação entre a cultura que ainda aceita a censura e o deficit de leitura da maioria dos brasileiros".
Meu trabalho neste processo resultou ainda num gostoso artigo para o Implicante (https://www.implicante.org/o-politicamente-correto-e-a-cen…/), em que analiso a gênese do direito pleno à liberdade de expressão, e porque tal liberdade engloba também e principalmente a liberdade de dizer coisas que desagradam alguns, mesmo que esses "alguns" sejam minorias ou grupos "sensíveis". Ninguém está a salvo da crítica, e não existem "espaços seguros" num mundo livre. Se você quer ter o direito de falar, vai ter também a obrigação de ouvir e ser, eventualmente, criticado e ridicularizado. Não há meio termo, e a causa que você defende ou a ideologia que você professa não te torna imune a críticas, ainda que você pense deter o monopólio da virtude.
Evidentemente cabe recurso da sentença, mas, até aqui, justiça foi feita, e a alegria da Thais com o resultado obtido alegrou minha semana. São as felicidades dessa profissão."
 Todo dia uma feminista diferente passando vergonha.